Esofagite Eosinofílica

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O que é a esofagite eosinofílica?

A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória primária crônica, de patogênese não esclarecida e que evolui com períodos de exacerbação. Esta doença, caracteriza-se pela infiltração celular  (eosinófilos) na mucosa esofágica e está associada com sintomas gastrointestinais altos, sendo a principal causa de impactação alimentar em homens jovens. É comumente associada com alergias, asma e rinite, possuindo predominância pelo sexo masculino (70-80%) e idade média entre 20-40 anos.

Esta doença vem sendo cada vez mais diagnosticada em nosso meio, provavelmente devido ao seu melhor conhecimento e aumento na freqüência da realização do exame de endoscopia digestiva alta.

O esôfago é um órgão imunologicamente ativo, capaz de recrutar eosinófilos em resposta a diversos estímulos. Na esofagite eosinofílica, atribui-se o depósito de eosinófilos à sensibilidade genética que alguns indivíduos têm após ingestão de determinados alimentos.

 

Sintomas da esofagite eosinofílica

Os principais sintomas são dificuldade de deglutição (disfagia), impactação alimentar e queimação (pirose).

A doença é diagnosticada por meio de história clínica e através de exames complementares, como a endoscopia digestiva alta com biópsia. A endoscopia digestiva pode ser normal ou mesmo evidenciar inúmeras alterações na mucosa esofágica, como anéis ou sulcos transversais, estrias longitudinais, edema, friabilidade, placas ou exsudados esbranquiçados, traqueização do esôfago (anéis concêntricos) e estreitamentos (estenoses).

Os pacientes suspeitos devem ser avaliados por um alergologista para a busca de doenças associadas e realização de testes alérgicos.

O hemograma   pode evidenciar eosinofilia em 50%, que quando presente, parece estar relacionado à uma pior evolução da doença.

Os testes cutâneos – SPT (skin prick tests),   APT (atopy patch tests) e a mensuração da IgE específica estão indicados para a identificação dos alergenos alimentares implicados na etiologia da doença, de forma a definir quais alimentos serão eliminados da dieta e a ordem de reintrodução. Os alimentos mais comumente associados são: leite de vaca, ovos, soja, trigo, peixe, frutos do mar e amendoim.

Exames gerais, como proteína C reativa, proteínas totais, albumina, enzimas hepáticas e amilase, usualmente são normais.

Os exames de manometria e pHmetria esofágica podem ser realizados, principalmente para avaliar associação com DRGE e diagnóstico diferencial.

A radiografia contrastada de esôfago pode demonstrar várias alterações, como estenoses, estreitamentos leves, anéis e alterações de distensibilidade do órgão.

 

Tratamento de esofagite eosinofílica

O tratamento é constituído por medidas dietéticas e farmacológicas. Em situações extremas e de emergência, como impacto alimentar ou estenoses esofágicas graves, há indicação de tratamento endoscópico.

A dieta é baseada na eliminação do alergeno envolvido, quando conhecido, ou na realização de teste terapêutico de exclusão alimentar, sendo eliminados os principais alimentos já citados e utilizando-se uma fórmula de aminoácidos, que parece ser eficaz na indução de remissão clínica e histológica da doença

Os alimentos que são recomendados para restrição devem ser cuidadosamente evitados porque mesmo pequenas quantidades podem ser suficientes para a inflamação persistente do esôfago.

O tratamento farmacológico, por sua vez, compreende o uso de corticoide inalatório deglutido, sendo a droga mais utilizada é a fluticasona.  O tempo de tratamento é de 6 a 8 semanas e geralmente a melhora clínica dos sintomas acontece após 4 semanas. A recorrência após suspensão do tratamento não é rara, ocorrendo em cerca de 40% dos casos.

O tratamento farmacológico também é constituído pelo emprego contínuo de inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, esomeprazol e etc). Os bloqueadores de receptores dos leucotrienos também podem ser auxiliares.

A dilatação esofágica é uma alternativa de tratamento que deve ser postergada e restringida apenas para pacientes muito sintomáticos, com estreitamento do esôfago secundário à estenoses fixas, que causam impacto alimentar, e que não tenham obtido melhora com a dieta e corticoterapia.

Em casos de doença avançada, pode ocorrer laceração e perfuração esofágica pós-dilatação ou após a simples passagem do aparelho, por friabilidade e perda da elasticidade da mucosa. A doença tem sido relacionada não apenas com complicações endoscópicas, mas também com perfurações e lacerações por vômitos, quando há bolo alimentar impactado no esôfago e a síndrome de Boerhaave (perfuração espontânea), deixando aí um alerta para a importância do diagnóstico e tratamento precoce desta doença.

 

Dra. Juliana Trazzi RiosDra. Juliana Trazzi Rios
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Pós-graduação em endoscopia oncológica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.
· Médica do Serviço de Endoscopia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
· Médica do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – HAOC.

 

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