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Confira aqui em nosso blog alguns artigos escritos pelos nossos especialistas.

Prevenindo o Cancer Gástrico

Prevenindo o Cancer Gástrico

Por quê fazer a vigilância do câncer gástrico?

O câncer gástrico é uma doença grave e potencialmente fatal. A chance de cura depende do grau de avanço da doença no momento do diagnóstico.

  • No ocidente (América e Europa), as taxas de cura são baixas, ao redor de 20%, pois a doença é geralmente diagnosticada na fase avançada.
  • No oriente, por outro lado, as taxas de cura chegam a 70%! Essa diferença se deve principalmente ao diagnóstico mais precoce do câncer gástrico em países como Japão e Coreia do Sul.

 

Quais os fatores de risco mais importantes para o aparecimento do câncer gástrico?

  • O estômago com a forma avançada de gastrite crônica, isto é, com aparecimento de atrofia e metaplasia intestinal, é a condição pré-neoplásica mais importante, conferindo um risco 6 vezes maior do que o estômago sem essas alterações.
  • História familiar também é importante, bem como infecção pelo Helicobacter pylori, tabagismo, consumo de sal e obesidade.
  • Por outro lado, atividade física e o consumo de frutas e vegetais é fator de proteção contra o câncer gástrico.


Prevenindo o Cancer Gástrico

 

Quais as dicas chaves para uma boa vigilância?

É importante um bom entendimento tanto do gastroenterologista, quanto do endoscopista.

  • O gastroenterologista deve reconhecer os pacientes com risco aumentado de câncer gástrico, orientar hábitos saudáveis, tratar o Helicobacter pylori quando houver infecção e solicitar as endoscopias de acompanhamento de acordo com o risco do indivíduo.
  • O endoscopista, por sua vez, deve atentar para um exame cuidadoso, com seu melhor aparelho disponível, usando o tempo necessário e direcionando biópsias para áreas suspeitas quando houver necessidade.

 

Quando fazer endoscopia?

Diferentemente do câncer de cólon, em que os critérios de vigilância já são bem estabelecidos, a vigilância do câncer gástrico ainda é controversa.

Algumas sociedades especializadas recomendam que pessoas provenientes de áreas de alto risco (Oriente e Chile) e pessoas com parentes de primeiro grau com histórico de câncer gástrico, devem fazer uma endoscopia de rotina a partir dos 50 anos.

Além disso, pessoas com gastrite crônica documentada pelas biópsias gástricas, que apresentem alterações nas biópsias como atrofia e metaplasia intestinal, devem realizar uma endoscopia a cada 2-3 anos.

A indicação portanto, deve ser individualizada caso a caso, e o especialista em Gastroenterologia é o profissional indicado para conduzir essa investigação.

 

Dr. Bruno da Costa MartinsDr. Bruno da Costa Martins
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Médico assistente do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clinicas HCFMUSP.
· Médico do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago

Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago

As varizes esofágicas são veias dilatadas que podem ser ocasionadas por doenças relacionadas ao aumento da pressão das veias do sistema porta (Hipertensão Porta), como por exemplo a cirrose hepática.

Varizes esofágicas estão presentes em metade dos pacientes cirróticos; são inicialmente finas, retas e se localizam na porção distal do esôfago, porém, podem se tornarem grossas, tortuosas e acometerem a porção proximal do órgão. O tempo de crescimento das varizes está diretamente relacionado à pressão no sistema portal, gravidade da disfunção hepática e predisposição individual.

Quando calibrosas e/ou associadas a função hepática comprometida, as varizes podem se romper e culminar em quadro grave de hemorragia digestiva.

A endoscopia digestiva alta (EDA) é o método ideal para diagnóstico das varizes esofágicas, devendo ser realizada em todos os pacientes com diagnóstico de cirrose hepática. Além disso, durante a EDA, podemos identificar os principais sinais endoscópicos indicativos de risco elevado de ruptura, sendo possível assim, estratificar o risco de sangramento.

A ligadura elástica é o método endoscópico que tem sido mais utilizado na profilaxia do sangramento varicoso. Esse procedimento, pode ser realizado tanto para evitar a ruptura das varizes, quanto para cessar o sangramento vigente. Em pessoas que já apresentaram episódio prévio de hemorragia varicosa, a terapia com ligadura é indicada para reduzir o risco de novo evento.

Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago

Esse procedimento é realizado durante o exame de endoscopia digestiva alta sob sedação, sendo utilizado um dispositivo, o qual é conectado à ponta do endoscópio, este possui de 06 a 12 bandas (anéis de borracha), que são liberadas sob controle endoscópico – o endoscopista identifica as varizes e aspira o ponto à ser ligado para o interior desse dispositivo, que quando acionado, libera um dos anéis de borracha, que estrangula a porção da variz que foi aspirada.

Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago

Este estrangulamento faz com que a variz diminua de tamanho até “secar”, isso ocorre em aproximadamente 2 semanas após o procedimento. Geralmente é necessário mais de uma sessão (média de 4 sessões para o tratamento completo). Cada sessão dura em torno de 30 minutos, podendo ser repetida a cada 15 a 30  dias conforme a necessidade, até o desaparecimento das varizes.

Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago

Após o procedimento, o paciente pode apresentar leve desconforto à deglutição, que é cessado em até 3 dias. Nesse período, deve-se realizar dieta líquida e pastosa e evitar alimentos quentes que possam soltar os anéis de borracha antes do tempo e predispor sangramento.

O procedimento de Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago poderá ser indicado no momento pertinente pelo médico, que realiza o acompanhamento periódico do paciente.

Para ser submetido à este procedimento, são necessários resultados de exames laboratoriais recentes, como hemograma e coagulograma completos.

Dra. Juliana Trazzi RiosDra. Juliana Trazzi Rios
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Pós-graduação em endoscopia oncológica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.
· Médica do Serviço de Endoscopia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
· Médica do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – HAOC.

 

Câncer de Esôfago

Câncer de Esôfago

Mais freqüente no sexo masculino, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o câncer de esôfago é o oitavo câncer que mais acomete os brasileiros e o sétimo que mais mata.

Além dos fatores genéticos, o álcool e o fumo são considerados os principais fatores de risco para o tipo mais freqüente de câncer de esôfago (carcinoma epidermóide), enquanto a obesidade e o esôfago de Barrett estão relacionados ao segundo tipo mais frequente (adenocarcinoma) – clique para saber mais sobre Esôfago de Barrett.

Quando em estágio inicial, a grande maioria dos casos é assintomática  (o paciente não apresenta nenhuma queixa relacionada à lesão) e o diagnóstico é feito através de um exame de endoscopia minucioso, no qual o médico observa uma alteração discreta na mucosa (superfície interna) deste órgão e realiza biópsias. No entanto, entre 60 a 70% dos pacientes já apresentam uma doença localmente avançada ou com metástases à distancia (principalmente em fígado, pulmões, ossos e adrenais) no momento do diagnóstico. Na doença avançada, o sintoma mais comum é a disfagia, (dificuldade de deglutir), mas o paciente também pode apresentar dor no peito,  perda de peso, rouquidão, tosse persistente, soluços, hemorragias, vômitos, etc.

O tratamento de Câncer de Esôfago varia conforme o estágio em que a doença se encontra no momento do diagnóstico e as condições clínicas do paciente. Após a endoscopia, vários exames podem ser utilizados para ajudar a definir o estágio da doença, mas os mais utilizados são a tomografia computadorizada e o PET SCAN.

Nos casos iniciais, o tratamento pode ser realizado pelo próprio exame de endoscopia que permite a ressecção (retirada) da lesão sem necessidade de cirurgia. Em casos mais avançados, há a possibilidade de cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou a combinação entre elas. No entanto, a chance de cura é menor quanto mais avançada estiver a doença  e, infelizmente, a maioria dos casos são diagnosticados nesta situação.

Por este motivo, é de extrema importância que durante um exame de endoscopia, o esôfago seja SEMPRE (independente da queixa do paciente) minuciosamente avaliado a fim de se detectar qualquer alteração na mucosa que possa representar um caso de câncer inicial.

Esta certamente é a maneira mais eficaz de aumentar a chance de cura do Câncer de Esôfago.

 

Dra. Emanuele Lima VillelaDra. Emanuele Lima Villela
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Especialista em Gastroenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia.
· Mestre em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
· Coordenadora da equipe de endoscopia do Hospital Geral de Carapicuíba – São Camilo.

 

O que é Doença Celíaca?

O que é Doença Celíaca?

A doença celíaca (DC) é uma condição em que o sistema imune responde de forma anormal ao glúten, levando ao dano do epitélio que recobre o intestino delgado.

O intestino delgado é responsável pela absorção de nutrientes, portanto, o dano ao epitélio do mesmo pode levar à má absorção de nutrientes importantes.

A Doença Celíaca acomete homens e mulheres em qualquer faixa etária.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem incluir: diarreia, perda de peso, desconforto abdominal, flatulência e outros sinais e sintomas causados pela deficiência de vitaminas e nutrientes.

A Doença Celíaca pode ser difícil de ser diagnosticada pois seus sinais e sintomas são similares aos de outras doenças.

O diagnóstico é composto pela somatória do quadro clínico, exames laboratoriais , achados da endoscopia digestiva alta e exame anatomopatológico.

Antes da realização dos exames diagnósticos, é importante que o paciente continue ingerindo uma dieta normal, incluindo alimentos com glúten. Evitar ou eliminar o glúten da dieta antes de realizar os exames diagnósticos, pode gerar resultados falso negativos.

Cerca de 10 % dos pacientes com Doença Celíaca persiste com sintomas a despeito da dieta sem glúten.

Os pacientes com Doença Celíaca que não seguem a dieta, possuem maior chance de apresentar as seguintes complicações: linfoma intestinal, algumas lesões de pele, desnutrição, osteoporose e infertilidade.

O tratamento da Doença Celíaca consiste na eliminação completa do glúten da dieta. O glúten é uma proteína encontrada no trigo, centeio e cevada, mas também pode fazer parte da composição de medicações e suplementos.

Uma vez interrompida a ingestão de glúten, o epitélio que reveste o intestino delgado tende a voltar ao padrão da normalidade.

Mais de 70 % dos pacientes referem melhora dos sintomas duas semanas após o início da dieta sem glúten.

 

Dr. Christiano Makoto SakaiDr. Christiano Makoto Sakai
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Médico assistente do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clinicas HCFMUSP.
· Médico do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

O que são Pólipos de cólon?

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Pólipo Pediculado

Pólipo Séssil

Os pólipos do cólon são formações que surgem na camada que reveste o interior do cólon ou intestino grosso. Alguns pólipos aparecem como protusões em forma de cogumelo suportadas por um pedículo (pólipos pediculados). Outros surgem como crescimentos aplanados da mucosa (pólipos sésseis).

É importante destacar alguns pontos:

  • Pólipos são comuns (ocorrem em 30 a 50% dos adultos);
  • Nem todos os pólipos se transformam em câncer;
  • Alguns anos são necessários para que alguns pólipos se transformem em lesões malignas;
  • A maioria dos pólipos podem ser removidos de forma completa e segura.

Os pólipos de cólon são comuns em homens e mulheres de todas as etnias que vivem em países industrializados, sugerindo que fatores dietéticos e ambientais têm um papel importante no desenvolvimento dessas lesões. Alguns fatores de risco são citados abaixo:

  • Dieta rica em gorduras;
  • Dieta rica em carne vermelha;
  • Baixa ingesta de fibras;
  • Tabagismo;
  • Obesidade.

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Noventa porcento dos casos de câncer colorretal e pólipos ocorrem a partir dos 50 anos. Dessa forma, a prevenção do câncer colorretal deve ser iniciada a partir dos 50 anos em ambos os sexos.

Fatores genéticos também são importantes no desenvolvimento dessas lesões. Qualquer história de pólipos ou câncer colorretal na família deve ser informada ao médico que acompanha o paciente, sobretudo se o câncer acometeu parentes de primeiro grau, jovens ou múltiplos membros da família. De forma geral, a prevenção do câncer colorretal começa de forma mais precoce nos pacientes que têm história familiar de pólipos ou câncer.

Os tipos mais comuns de pólipos de cólon são os hiperplásicos e os adenomatosos. Os pólipos hiperplásicos geralmente são pequenos, localizados, sobretudo, na porção final do intestino grosso e no reto e, virtualmente, não possuem risco de se transformarem em lesões malignas. Já os pólipos adenomatosos correspondem a dois terços de todos os pólipos e, alguns deles, possuem potencial de malignização.

Os pólipos de cólon geralmente não provocam sintomas e podem ser detectados durante os exames de prevenção de câncer colorretal, como a colonoscopia ou retossigmoidoscopia. A colonoscopia é o melhor exame para avaliação do cólon porque permite que o médico possa ver a mucosa de todo o cólon e reto e permite que o mesmo remova a maioria dos pólipos que são encontrados (ocasionalmente, pólipos grandes precisam de ser removidas durante um procedimento separado).

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Geralmente, após a ressecção de pólipos, recomenda-se repetir a colonoscopia após alguns anos. Esse intervalo vai depender de alguns fatores:

  • Se foi possível examinar todo o cólon;
  • Características microscópicas dos pólipos ressecados;
  • Número e tamanho dos pólipos;
  • Qualidade do preparo do cólon durante a colonoscopia.

 

Dra. Jamile R. KalilDra. Jamile R. Kalil
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Especialista em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
· Médica do Centro de Diagnóstico em Gastroenterologia (CDG) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

Esofagite Eosinofílica

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O que é a esofagite eosinofílica?

A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória primária crônica, de patogênese não esclarecida e que evolui com períodos de exacerbação. Esta doença, caracteriza-se pela infiltração celular  (eosinófilos) na mucosa esofágica e está associada com sintomas gastrointestinais altos, sendo a principal causa de impactação alimentar em homens jovens. É comumente associada com alergias, asma e rinite, possuindo predominância pelo sexo masculino (70-80%) e idade média entre 20-40 anos.

Esta doença vem sendo cada vez mais diagnosticada em nosso meio, provavelmente devido ao seu melhor conhecimento e aumento na freqüência da realização do exame de endoscopia digestiva alta.

O esôfago é um órgão imunologicamente ativo, capaz de recrutar eosinófilos em resposta a diversos estímulos. Na esofagite eosinofílica, atribui-se o depósito de eosinófilos à sensibilidade genética que alguns indivíduos têm após ingestão de determinados alimentos.

 

Sintomas da esofagite eosinofílica

Os principais sintomas são dificuldade de deglutição (disfagia), impactação alimentar e queimação (pirose).

A doença é diagnosticada por meio de história clínica e através de exames complementares, como a endoscopia digestiva alta com biópsia. A endoscopia digestiva pode ser normal ou mesmo evidenciar inúmeras alterações na mucosa esofágica, como anéis ou sulcos transversais, estrias longitudinais, edema, friabilidade, placas ou exsudados esbranquiçados, traqueização do esôfago (anéis concêntricos) e estreitamentos (estenoses).

Os pacientes suspeitos devem ser avaliados por um alergologista para a busca de doenças associadas e realização de testes alérgicos.

O hemograma   pode evidenciar eosinofilia em 50%, que quando presente, parece estar relacionado à uma pior evolução da doença.

Os testes cutâneos – SPT (skin prick tests),   APT (atopy patch tests) e a mensuração da IgE específica estão indicados para a identificação dos alergenos alimentares implicados na etiologia da doença, de forma a definir quais alimentos serão eliminados da dieta e a ordem de reintrodução. Os alimentos mais comumente associados são: leite de vaca, ovos, soja, trigo, peixe, frutos do mar e amendoim.

Exames gerais, como proteína C reativa, proteínas totais, albumina, enzimas hepáticas e amilase, usualmente são normais.

Os exames de manometria e pHmetria esofágica podem ser realizados, principalmente para avaliar associação com DRGE e diagnóstico diferencial.

A radiografia contrastada de esôfago pode demonstrar várias alterações, como estenoses, estreitamentos leves, anéis e alterações de distensibilidade do órgão.

 

Tratamento de esofagite eosinofílica

O tratamento é constituído por medidas dietéticas e farmacológicas. Em situações extremas e de emergência, como impacto alimentar ou estenoses esofágicas graves, há indicação de tratamento endoscópico.

A dieta é baseada na eliminação do alergeno envolvido, quando conhecido, ou na realização de teste terapêutico de exclusão alimentar, sendo eliminados os principais alimentos já citados e utilizando-se uma fórmula de aminoácidos, que parece ser eficaz na indução de remissão clínica e histológica da doença

Os alimentos que são recomendados para restrição devem ser cuidadosamente evitados porque mesmo pequenas quantidades podem ser suficientes para a inflamação persistente do esôfago.

O tratamento farmacológico, por sua vez, compreende o uso de corticoide inalatório deglutido, sendo a droga mais utilizada é a fluticasona.  O tempo de tratamento é de 6 a 8 semanas e geralmente a melhora clínica dos sintomas acontece após 4 semanas. A recorrência após suspensão do tratamento não é rara, ocorrendo em cerca de 40% dos casos.

O tratamento farmacológico também é constituído pelo emprego contínuo de inibidores de bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, esomeprazol e etc). Os bloqueadores de receptores dos leucotrienos também podem ser auxiliares.

A dilatação esofágica é uma alternativa de tratamento que deve ser postergada e restringida apenas para pacientes muito sintomáticos, com estreitamento do esôfago secundário à estenoses fixas, que causam impacto alimentar, e que não tenham obtido melhora com a dieta e corticoterapia.

Em casos de doença avançada, pode ocorrer laceração e perfuração esofágica pós-dilatação ou após a simples passagem do aparelho, por friabilidade e perda da elasticidade da mucosa. A doença tem sido relacionada não apenas com complicações endoscópicas, mas também com perfurações e lacerações por vômitos, quando há bolo alimentar impactado no esôfago e a síndrome de Boerhaave (perfuração espontânea), deixando aí um alerta para a importância do diagnóstico e tratamento precoce desta doença.

 

Dra. Juliana Trazzi RiosDra. Juliana Trazzi Rios
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Pós-graduação em endoscopia oncológica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.
· Médica do Serviço de Endoscopia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
· Médica do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – HAOC.

 

Azia, Gastrite e Má Digestão: o que são e como prevenir?

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Azia

É a sensação de queimação no peito ou na garganta. Algumas pessoas referem como sensação de acidez. A azia é considerada um sintoma da doença do refluxo gastroesofágico.

Nos países ocidentais, a doença do refluxo gastroesofágico está presente em 10-20% da população, e sua incidência vem aumentando ultimamente, em função dos nossos hábitos alimentares e do aumento de peso.

Gastrite

Refere-se à inflamação da mucosa do estômago. Suas principais causas são a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, uso de álcool ou medicações – especialmente os anti-inflamatórios e aspirinas.

A relação entre gastrite e sintomas digestivos não é bem clara. A gastrite pode provocar dor ou desconforto no abdômen superior, mas pode cursar sem nenhum sintoma! Muitos pacientes com gastrite crônica não apresentam queixas abdominais. O termo gastrite muitas vezes é usado erroneamente para descrever qualquer sintoma no abdômen superior.

Má-digestão

A má-digestão ou dispepsia funcional é a sensação de empachamento após as refeições, podendo também apresentar saciedade precoce, dificuldade de digestão e dor abdominal. É um sintoma muito comum, acometendo 20-40% da população. A dispepsia funcional é diagnosticada quando outras causas como gastrite, úlceras ou refluxo foram afastadas. Daí a importância do médico gastroenterologista em conduzir a investigação adequada.

Dicas para melhorar a azia e má digestão:

  • Perder peso (se você estiver acima do peso)
  • Elevar a cabeceira da cama
  • Evitar alimentos como café, chocolate, álcool, gorduras e frituras.
  • Pare de fumar
  • Fracionar as refeições e evitar refeições copiosas
  • Evitar se deitar por pelo menos 3 horas após a refeição

 

Dr. Bruno da Costa MartinsDr. Bruno da Costa Martins
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Médico assistente do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clinicas HCFMUSP.
· Médico do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Divertículos colônicos (dos colons)

Os divertículos são saculações que podem ocorrer em qualquer porção do tubo digestivo, mas são mais comuns nos cólons (intestino grosso) onde recebem o nome de divertículos colônicos.

Divertículos colônicos (dos colons)

Apesar do mecanismos de formação dos divertículos ainda não estar completamente estabelecido, acredita-se que guarda relação com o envelhecimento do órgão (fragilidade da parede), além de distúrbios motores e dieta pobre em fibra.

É comum o paciente ter encontrado em algum exame de imagem a presença destes divertículos e, de forma equivocada, dizer que é portador de diverticulite. Porém é importante enfatizar que a presença dos divertículos em si, não caracteriza a diverticulite, e sim a diverticulose. A nomenclatura “diverticulite” deve ser reservada aos casos em que ocorre inflamação dos divertículos.

A maioria dos pacientes com divertículos colônicos são assintomáticos, podendo ser apenas um achado em exames como a colonoscopia, enema opaco ou outros exames de imagem.  Quando apresenta sintomas, os mais comuns são: cólica, gases, distensão abdominal, constipação ou diarréia.

Divertículos colônicos (dos colons)

Eventualmente estes divertículos podem apresentar complicacões tais como a inflamação (diverticulite) e o sangramento. Nos casos de diverticulite o tratamento inclui o uso de antibióticos, porém se a inflamação ocorrer de forma mais intensa, pode levar à perfuração intestinal e necessitar de cirurgia. Quando ocorre sangramento do divertículo, a maioria das vezes cessa espontaneamente, mas em alguns casos é necessário o tratamento por colonoscopia, arteriografia ou até mesmo cirurgia.

A conduta nos pacientes com divertículos colônicos deve ser individualizada, mas de uma maneira geral, recomenda-se uma dieta equilibrada, rica em fibras.

 

Dra. Emanuele Lima VillelaDra. Emanuele Lima Villela
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Especialista em Gastroenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia.
· Mestre em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
· Coordenadora da equipe de endoscopia do Hospital Geral de Carapicuíba – São Camilo.

 

Lesões Subepiteliais

Lesão Subepitelial Gástrica

Em alguns pacientes , durante o exame de endoscopia digestiva alta (EDA) , podem ser evidenciados abulamentos da mucosa do esôfago, estômago ou duodeno. No laudo do exame esses abaulamentos são , muitas vezes , classificados como lesões subepiteliais . Essas lesões, por sua vez, podem originar-se  em qualquer das camadas da parede gastrointestinal, sendo portando de natureza intramural. Devem ser diferencidadas das compressões extrínsecas , as quais tem o mesmo aspecto no exame de endoscopia, mas origem extramural (compressão causada por outros orgãos, vasos,  gânglios e etc).

A maioria dos pacientes são assintomáticos, sendo as lesões subepiteliais identificadas incidentalmente durante o exame de endoscopia.

A Endoscopia Digestiva Alta isoladamente não é capaz de diferenciar as lesões subepitelias das compressões extrínsecas. Por outro lado, o ultrassom endoscópico é capaz de demostrar as camadas da parede do trato gastrointestinal, além de  permitir  a realização de biópsias em alguns casos. Dessa forma, esse exame pode contribuir para diferenciar estas lesões, complementando a investigação diagnóstica.

A conduta frente a uma lesão subepitelial vai depender do seu tamanho , localização , velocidade de crescimento , características vistas ao ultrassom endoscópico, resultado da biópsia e condições clínicas do paciente. Essas condutas podem incluir acompanhamento com Endoscopia Digestiva Alta e/ou ultrassom endoscópico, ressecção endoscópica e cirurgia.

 

Dr. Christiano Makoto SakaiDr. Christiano Makoto Sakai
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Médico assistente do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clinicas HCFMUSP.
· Médico do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Desconforto causado por gases

Algumas pessoas reclamam do excesso de flatulência e eructações, condições que podem ser fonte de situações constrangedoras e desconforto. Normalmente, um adulto produz cerca de um a três litros de gás por dia, que são liberados através do ânus 14 a 23 vezes em cerca de 24 horas. Eructações ocasionais, antes ou após as refeições também são normais.

A quantidade de gás produzido pelo corpo depende da dieta e de outros fatores individuais. A  maioria das pessoas que se queixa de excesso de gases não produz mais gás do que um adulto normal. Essas pessoas tendem a apresentar uma maior sensibilidade à presença dos gases. Por outro lado, certos alimentos (ex.: repolho, couve, brócolis) e condições médicas, como diabetes e esclerodermia, podem levar à produção de quantidades excessivas de gases.

Os sintomas mais frequentes incluem excesso de flatulência e eructações, além de distensão e dor abdominal.

As principais causas que levam ao excesso de gases estão listadas abaixo:

  • Aerofagia: processo inconsciente, no qual ocorre a deglutição de grandes quantidades de ar e está frequentemente associado com estresse emocional. O tratamento visa reduzir a ansiedade, quando esta é considerada uma causa, bem como comer lentamente, evitar bebidas carbonatadas, goma de mascar e o tabagismo.
  • Alimentos ricos em carboidratos de cadeia curta, chamados de “FODMAPs”, assim como amido e fibras solúveis também contribuem para o aumento na produção de gases;
  • Intolerância à lactose;
  • Intolerância a outros açúcares, como a frutose e o sorbitol;
  • Presença de doenças que aumentam a produção de gás, como a síndrome do intestino curto, doença celíaca, diabetes e esclerodermia.

A investigação, necessária em alguns casos, deve ser orientada pelo médico, assim como o tratamento para alívio dos sintomas.

 

Dra. Jamile R. KalilDra. Jamile R. Kalil
· Especialista em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva.
· Especialista em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
· Médica do Centro de Diagnóstico em Gastroenterologia (CDG) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.